Vídeo: Jovem que matou aluna em escola aparece com olho roxo, muda de ideia e diz que está arrependido

Após negar arrependimento em gravação, Misael Olair muda de opinião em novo vídeo, onde aparece com hematoma. Raphaella Noviski, de 16 anos, foi assassinada com vários tiros.

O jovem Misael Pereira Olair, de 19, voltou atrás e disse nesta terça-feira (7) que está arrependido de ter matado, a tiros, a estudante Raphaella Noviski, de 16, em uma escola pública de Alexânia, no Entorno do Distrito Federal. Em um novo vídeo, ele aparece com um hematoma no olho e, quando questionado sobre o crime pela delegada Rafaela Azzi, responsável pelo caso: “Tô [arrependido], de verdade”.

Em outro registro, também feito pela delegada na segunda-feira (6), dia do crime, o rapaz havia dito que não estava arrependido e que tinha matado a adolescente porque a odiava (veja abaixo). Logo depois, em depoimento formal, ele afirmou que fez vários disparos para que a garota “não sentisse dor“.

A nova gravação foi feita logo após a audiência de custódia realizada nesta tarde, na qual a Justiça converteu de flagrante para preventiva a prisão dele e do comerciante Davi José de Souza, de 49 anos, que o ajudou na fuga.

No vídeo, Misael também confessa que ligou para a vítima no dia do crime e perguntou se ela “estava preparada”. “Quando ele liga no dia do crime e questiona isso, é como uma ameaça prévia. É como ele perguntando se ela está pronta para morrer. Mas achamos que a vítima não levou isso a sério”, disse Rafaela ao G1.

Olho roxo

No vídeo em que diz estar arrependido, Misael aparece com um hematoma no olho esquerdo, o qual não apresentava na primeira gravação. A delegada afirmou que o machucado foi provocado devido a uma queda no banheiro do presídio. “Ele disse que tinha caído porque a a luz é pouca”, explica.

Após a audiência de custódia, o advogado de Misael, Joel Pires Lima, deu a mesma versão para o olho roxo e disse que ele “bateu o rosto na parede” do banheiro do presídio.

O juiz que presidiu a sessão, Leonardo Bordini, afirmou que Misael, de fato, relatou ter caído. Como ele alegou um acidente, por enquanto, não será aberto nenhum procedimento.

“Posso determinar a abertura do inquérito para apurar as circunstâncias, mas, a princípio, as informações que ele citou são suficientes”, afirmou o magistrado.

Para a audiência, que ocorreu nesta tarde no Fórum de Alexânia, Misael e Davi foram escoltados por servidores da Agência Prisional com o apoio de policiais civis. “Não é nossa função, mas em decorrência do clamor popular gerado nesse caso, fomos até a unidade prisional para dar apoio e reforçar a segurança”, disse a delegada.

Aluna de 16 anos é morta em escola estadual de Alexânia, em Goiás (Foto: Betta Jaworski/G1)

Crime

O crime foi cometido na manhã de segunda-feira (6), no Colégio Estadual 13 de Maio, também em Alexânia. Segundo a Polícia Civil, o atirador é ex-aluno da instituição. A delegada Rafaela Azzi afirmou ao G1 que o suspeito disse ter disparado 11 vezes contra a vítima, por “sentir ódio” dela.

“Ele alega que é conhecido ‘de longa data’ da vítima, e que sentia muito ódio da menina. A partir do depoimento dele entendemos que ele tentou namorar com ela, mas foi rejeitado. Por conta disto resolveu comprar uma arma, adentrar na escola onde ela estava e ceifar a vida dela”, revelou.

A delegada explicou que o suspeito planejou o crime por um ano e afirmou ter comprado o revólver calibre 32 de uma pessoa, mas não revelou o nome. Ela explicou ainda que ele sequer tem idade – o mínimo exigido é 25 anos – para ter posse ou porte de arma. Ele deve ser indiciado por feminicídio.

Estudante Raphaella Noviski, de 16 anos, foi morta a tiros no Colégio Estadual 13 de Maio, em Alexânia, Goiás (Foto: Reprodução/Facebook)

Vídeo mostra pânico

Imagens do circuito interno do Colégio Estadual 13 de Maio, onde ocorreu o crime, mostram momentos de pânico logo após o homicídio. No registro, é possível ver Misael chegando ao local e fugindo em seguida.

Ele usa uma máscara, que foi apreendida pela polícia com ele no momento de sua prisão. Em depoimento, ele disse que não estava arrependido.

Máscara usada no crime, assim como arma foram apreendidos (Foto: Paula Resende/ G1)

Nas cenas, é possível ver quando o atirador aparece de blusa escura e com uma mochila nas costas. Ele entra na primeira sala e sai em disparada logo depois. Uma câmera mostra em outro ângulo o momento em que ele foge pelo pátio. Segundo a Polícia Civil, ele pulou o muro e deixou a escola em um carro junto com um comparsa.

Por conta do crime, a Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce) suspendeu temporariamente as aulas. O colégio só reabrirá no próximo dia 16, quando está previso um culto ecumênico em homenagem à vítima.

 

Por Vitor Santana e Sílvio Túlio, G1 GO, Alexânia

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