Por que uma estudante está tirando selfies com os homens que a assediam

Conta no Instagram registra quem são e o que dizem os assediadores a uma mulher que caminha pelas ruas

‘ELES ESTÃO INVADINDO MINHA PRIVACIDADE NA RUA, NA FRENTE DE TODOS, ENTÃO EU INVADO A DELES TAMBÉM’, DISSE NOA JANSMA. (Reprodução/Instagram)

Desde o fim do mês de agosto, a estudante de 20 anos Noa Jansma, residente de Amsterdã, na Holanda, alimenta a conta do Instagram “Dear catcallers” (Queridos assediadores, em tradução livre) com fotos dela própria posando ao lado de homens que assobiam, buzinam e fazem propostas indesejadas a ela nas ruas.

São dezenas de fotos postadas ao longo de um mês, algumas delas acompanhadas de legendas descritivas sobre como cada um dos homens que aparecem nas imagens, de diferentes idades, raças e estilos, a interpelou. A primeira fase do projeto chegou ao fim no final de setembro.

No dia 1° de outubro, Jansma anunciou que, para mostrar que o assédio sofrido pelas mulheres nas ruas é um problema global, outras mulheres de diferentes lugares do mundo irão administrar a conta a partir de agora, registrando seus assediadores. Ela também estimula as seguidoras a enviarem seus posts com a hashtag #dearcatcallers.

A iniciativa surgiu da vontade de reagir ao que os homens dizem a mulheres desconhecidas na rua. Ao se sentir ameaçada quando manifestava uma reação negativa, a estudante teve a ideia de pedir selfies. A estratégia deu certo: segundo ela, a maioria dos homens fica orgulhoso quando ela pede uma foto. Segundo ela, só um deles perguntou onde as fotos iriam parar, e mesmo assim concordou em participar da selfie.

À BBC, Jansma disse que não se trata de humilhar os homens que a assediaram, mas de fazer uma declaração sobre o assédio sofrido por mulheres todos os dias. “Eu achava tão estranho que, para metade da humanidade, isso é um problema da vida cotidiana, enquanto a outra metade não faz ideia”, disse. Seus amigos, de fato, ficaram chocados com o que ela mostrou no Instagram.

Caso algum dos fotografados venha a pedir que ela remova a foto do perfil, ela atenderá ao pedido. “Não quero arruinar a vida deles”, disse. “É mais como um espelho, eles estão invadindo minha privacidade na rua, na frente de todos, então eu invado a deles também”.

Uma nova lei criada nas cidades holandesas de Amsterdã e Roterdã para combater o assédio nas ruas impõe multa de até 4.100,00 euros (aproximadamente R$ 15.000,00, no caso do valor máximo) e até três meses de prisão aos assediadores. A medida entra em vigor no dia 1° de janeiro de 2018. Mesmo sendo positiva, aos olhos de Jansma, será, provavelmente, difícil de aplicar.

De Bruxelas a NY

Com intenção semelhante, outras mulheres já registraram, em outras cidades do mundo, seus assediadores em ação.

Em 2012, o curta-metragem documental “Femme de la Rue” (Mulher da rua, em tradução livre), filmado pela estudante Sofie Peeters, expôs o assédio enfrentado por Peeters cotidianamente nas ruas de Bruxelas, na Bélgica. O filme repercutiu no país todo e internacionalmente. Houve reações de políticos, que prometeram legislar para combater o problema, e acusações de racismo baseadas no fato de que a maior parte dos homens que aparecem no documentário são de origem imigrante.

Dirigido por Rob Bliss, o vídeo de 2014 “10 Hours of Walking in NYC as a Woman” (10 Horas Andando em Nova York sendo Mulher) registrou uma experiência correlata à de Peeters na Bélgica.

Fonte: NEXO

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