Menina de 11 anos fica em estado vegetativo após ser medicada durante crise de asma

A pequena Gabrielly Cristina era bailarina e tinha uma vida ativa antes de dar entrada em UPA com crise de asma. Mãe acusa unidade de saúde de negligência.

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Gabrielly Cristina de 11 anos ficou em estado vegetativo após crise de asma (Foto: Arquivo pessoal)

Há quase seis meses, a pequena Gabrielly Cristina, de 11 anos, vive em estado vegetativo após ter recebido uma medicação na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sobral, em Rio Branco, no Acre, em agosto do ano passado. A mãe da menina, a diarista Siliane Sandra da Silva, de 37 anos, acusa a unidade de saúde de negligência.

A menina deu entrada na UPA com uma crise de bronquite asmática e recebeu duas medicações direto na veia e, em seguida, sofreu um choque anafilático e teve parada respiratória, segundo relata a mãe.

Durante a aplicação do segundo remédio, Gabrielly colocou a mão no pescoço, se debruçou para frente, se urinou e apagou.

“Ela nunca havia tomado medicação na veia, sempre foi via oral, mas nesse dia resolveram dar o remédio, que é um antibiótico muito forte, direto na veia. Não sei porque eles fizeram isso. Não fizeram os primeiros socorros logo. Ela ficou muito tempo sem oxigenação. No laudo diz que foram 11 minutos, mas eu que estava lá, vi que foi bem mais tempo. Demorou muito tempo, foi muita negligência”, denuncia a mãe.

Foram três meses internada no Hospital da Criança, sendo que 17 dias na UTI. Depois disso, a menina teve alta médica e a família conseguiu montar um quarto equipado para atendê-la com a doação das pessoas.

Sem ter como trabalhar, e com outros três filhos de 18, 6 e 3 anos, a diarista diz que estão vivendo somente de doações e com o Bolsa Família.

Gabrielly, de acordo com mãe, era uma menina ativa e sadia. Ela foi diagnosticada com bronquite asmática em março do ano passado. Mas, sempre praticou várias atividades físicas e era bailarina. A mãe lamenta.

“Hoje minha filha está só vegetando, não teve nenhum progresso desde o acontecimento. Segundo a neurologista, foi uma lesão gravíssima no cérebro e é irreversível”, diz.

A diarista afirma que pretende acionar a Justiça contra a Saúde por negligência. “É tudo muito difícil, até a medicação e coisas básicas que ela precisa eu não consigo pegar em posto de saúde. Ela faz uso contínuo de três remédios. Pretendo acionar a Justiça, mais por uma necessidade dela mesmo, porque ela vai precisar. Minha filha era bailarina e já ia entrar no sapateado, agora está vegetando”, lamenta.

Uma corrida solidária está marcada para o próximo domingo (4), às 6h30, no Parque do Tucumã. A iniciativa para ajudar a pequena Gabrielly está sendo organizada pelos grupos “Loucos por Corrida” e “Atletas Solidários”.

A Saúde informou, através de nota, que, durante o atendimento, a mãe da menina informou que há dias Gabrielly estava tendo crises frequentes e que a menina não tinha alergia a nenhum tipo de medicamento.

Em seguida, ela foi encaminhada para a sala de medicação. “Paciente ficou desacordada, foi encaminhada para emergência da unidade, no mesmo momento foi colocado 2 continuo e realizado adrenalina no vasto lateral, não tendo sucesso. Paciente continuou acianótica, bradicárdica, pupilas não reagentes e sem expansão do tórax”, diz a nota.

A nota segue dizendo que foi feita a intubação orotraqueal – para ajudar na ventilação do paciente. Mas, logo em seguida, a pequena teve uma parada cardiorrespiratório por falta de oxigênio.

“Foi iniciada massagem cardíaca e adrenalina e que após 6 minutos no segundo ciclo da adrenalina voltou com pulso cheio com frequência cardíaca”, explicou a nota.

Por Iryá Rodrigues, G1 AC, Rio Branco