Dia da Mulher e uma história que inspira

A história de Darlete Cardoso, se parece com a história de muitas outras mulheres, que não pensaram duas vezes antes de partir em busca do que acreditavam.

Foto: Diário do Sul

Ela foi fazer faculdade contra a vontade do pai, aos 17 anos, em plena década de 70. Para isso, precisou trabalhar para pagar os estudos, já que o pai, conservador, afirmava que como mulher ela deveria ficar em casa, casar e deixar que o marido a sustentasse.

Se formou, foi trabalhar, casou, teve filhos, separou, fez mais uma faculdade, criou sozinha os filhos pequenos, e hoje, aos 60 anos, é uma mulher que sempre esteve à frente do seu tempo.

A história de Darlete Cardoso, de Tubarão, se parece com a história de muitas outras mulheres, que não pensaram duas vezes antes de partir em busca do que acreditavam. E venceram. E no Dia Internacional da Mulher veem suas histórias retratadas e intrinsecamente ligadas em meio a tantas outras histórias de mulheres.

Darlete conta que fazer uma faculdade sempre foi seu sonho. Em 1974 foi então cursar Administração de Empresas. Mas o pai se recusava a aceitar, e ela precisou trabalhar para pagar os estudos.

Na época, eram ela e mais três mulheres em meio a uma sala de aula com mais de 50 homens. “Mas nunca sofremos discriminação, nem assédio. Pelo contrário, fomos muito respeitadas. Era a segunda turma deste curso na então Fessc (hoje Unisul).

Em 1978, estava formada e, dois anos depois, estava trabalhando na antiga ICC, em Imbituba. Antes disso, foi colunista do jornal Tribuna Sulina e trabalhou na Rádio Tabajara. Era a veia jornalística sempre falando mais alto.

Foi na ICC que conheceu o marido, com que teve os dois filhos, João Lucas e Luiz Guilherme, e com quem ficou casada por 15 anos. Separou quando os filhos tinham, respectivamente, 12 e nove anos. Criou os meninos sozinha. “Era o que eu tinha para fazer, não tinha escolha. E não me arrependo. Dei o melhor de mim”, conta.

Filhos e carreira são suas paixões

Após a separação, começava também outra fase na vida de Darlete Cardoso. Começou a cursar Jornalismo na primeira turma da Unisul. Morando em Imbituba, vinha todos os dias para as aulas em Tubarão. Se formou em 1996 e começou logo a dar aulas na universidade. Voltou para Tubarão com os dois filhos.

Aqui, para “dar conta” de criar os filhos e conseguir dar a eles o melhor, a educação, trabalhava nos três períodos, intercalando aulas, assessoria de imprensa e jornalismo impresso. “Meus filhos estudavam no Dehon e faziam inglês, e não poderia deixar isso como segundo plano. A educação deles era o que de mais precioso podia dar junto ao meu amor”, lembra.

E valeu a pena. Hoje, aos 60 anos, os dois filhos são formados. João Lucas seguiu os passos da mãe e também é jornalista, e mora em Florianópolis. Luiz Guilherme mora há 15 anos na Inglaterra, fez dois mestrados, doutorado e pós-doutorado em Oxford. “Eles são o que tenho de melhor. E sempre foram meninos bacanas, que me apoiaram e estiveram sempre ao meu lado”, comenta, orgulhosa.

Além de tudo o que fez e ainda faz, Darlete também conseguiu tempo para cuidar sozinha de sua mãe com Alzheimer, foi coordenadora do curso de Jornalismo da Unisul e escreveu três livros – agora está escrevendo o quarto, conciliando com o trabalho como professora na Unisul.

“Tenho três paixões na vida: meus filhos, jornalismo e a paixão mais recente, que já dura 21 anos, lecionar”, conclui Darlete.

Fonte: Diário do Sul