Casado e pai de três filhos, capitão de submarino desaparecido disse à mãe que faria ‘última viagem’

Em estado de choque, Emma Nelly contou que filho passaria a trabalhar em terra

O capitão do submarino ARA San Juan, Pedro Martín Fernández, prometeu a sua mãe que faria sua última viagem na embarcação e então trabalharia em terra firme, contou Emma Nelly Juárez ao jornal local “La Gaceta”. Casado e pai de três filhos, Fernández tem 45 anos e é um dos 44 tripulantes desaparecidos, cuja busca desesperada concentra esforços de vários países. Nesta quinta-feira, a Marinha argentina confirmou uma possível explosão no mesmo dia e local onde o submarino perdeu a comunicação.

Fernandéz passou toda sua infância e parte da adolescência em San Miguel de Tucumán, maior cidade e capital da província de Tucumán, até começar a carreira militar. Na casa materna do capitão, familiares, amigos e vizinhos vivem momentos de incerteza e angústia. Todos tentam confortar sua mãe Emma, de 80 anos, que nas últimas horas entrou em estado de choque emocional devido à situação dramática.

— Ele viajou pelo mundo todo e navegou duas vezes com a Fragata Liberdade — recorda Emma com orgulho ao “La Gaceta”. — Ele me contou que essa iria ser sua última viagem no submarino. Depois trabalharia em terra.

Segundo a mãe do capitão, ele sempre quis ser militar e se preparou para entrar para o Exército, mas uma lesão durante uma partida de rúgbi o fez mudar para a Marinha. Ao jornal, Emma contou que esperava com ansiedade as visitas de seu filho, a nora e os três netos nas férias de julho e em dezembro para as festas de fim de ano. Há nove anos, Fernandéz morava em Mar del Plata com sua mulher, que conheceu quando tinha 14 anos na escola em que estudavam.

DOR E INDIGNAÇÃO

Os parentes dos 44 membros da tripulação do submarino desaparecido há oito dias no Atlântico Sul reagiram com dor e indignação ao relatório divulgado nesta quinta-feira pela Marinha argentina sobre uma explosão no mar no dia do último contato com a embarcação. Quase cem parentes esperavam esperançosamente dentro da base naval de Mar del Plata, cujo perímetro nos últimos dias foi preenchido com mensagens de encorajamento, imagens religiosas e bandeiras argentinas.

— É a primeira vez que venho à base naval e acabo de saber que sou viúva — declarou Jessica Gopar em lágrimas em frente à base naval de Mar do Plata, 400 km ao sul de Buenos Aires. — Fernando Santilli, eletricista do ARA San Juan, foi meu grande amor, tínhamos sete anos de namoro, seis de casamento e temos um filho, Stefano, que nos custou muito até que Deus nos enviasse.

O filho do casal tem apenas um ano e acabou de aprender a dizer ‘papai’ durante sua ausência, de acordo com uma carta postada no Facebook de Jessica. “Todos morreram, foi a primeira coisa que pensei”, disse sobre o momento em que soube da explosão. Tinha em suas mãos um cartão manuscrito com a fotografia de seu filho trazido para deixá-lo na entrada do prédio naval, preenchido com mensagens para a tripulação.

— Não irá me servir de nada uma placa que diz ‘os heróis de San Juan’ — declarou Jessica antes de se afogar novamente em lágrimas.

Itatí Leguizamón, advogada e mulher de um operador de sonar do ARA San Juan, ficou enfurecida com a notícia.

— Eu me sinto enganada! É impossível que tenham descoberto só agora! São perversos e nos manipularam. Não nos disseram que estão mortos, mas afirmaram que o submarino está a 3 mil metros (de profundidade). O que se pode entender?! — afirmou Itatí, mulher de German Suarez. — Vão continuar procurando por eles porque têm a obrigação de fazê-lo. Mas quando ouviram a notícia de que todos explodiram lá dentro, os familiares pularam em cima deles e não deixaram que continuassem a ler o comunicado, as pessoas ficaram muito agressivas.

     Relacionadas: